domingo, 23 de maio de 2010

Motor


Para, caralho!
Para, carro!

Que estranho ir. Menos que ir, ser levado.
Que estranho ser lavado.
Ser tão alheio...
Ter tão arreio...
Quisera pisar no freio
Só quisera
Que falta? O pisar?
O que falta?
Falta acelerar?
Dobrar, talvez...
Guiar, em vez...
Ora, que audácia me desviar seria!
Fugir do fado do fim do dia.
Questionar se o destino é bom,
Desfazer o que elejo dom.
Seguir descomplicado,
O caminho sinalizado
Angustiantemente simples assim
Tão simples quão tão vilão de mim
Para, carro!
Prestes, o fim
Tão etéreo
Jazendo em mim tão incerto
Me esperando em paciência
Em tudo se há fim em latência
Há embalde estrada
Hei embalde em debandada
Quisera quebrar o volante
Quisera sair
E viver andante
Destoar, me fazer de ruido
Enxergar sem aquele vidro
Diáfano
Queria estar mais distante
Do carro
Quisera ser só andante
Arcar o escarro
Queira pingar em mim,
Chuva!
Quem dera temporal!
Correr
E gritar
E correr
Sem motivo
Sem motor
Sem placas
Sem fachadas
Sem fechadas
Sujar meus pés de lama
Sujar meu nariz de lama
Lambê-la
Embrenhar numa selva verde
Pular todas as paredes
Pisar em qualquer lugar
Que não esse tapete
Tão preto
Tão opaco
Tão chato
Queria poder gritar
Me rasgar em falsete
Sorrir em quando o mundo dança
Cortar o cinto de segurança
Com os dentes
Que estranho ser dormente
Demente
De mente tão fraca
Empurra a faca
E mente
Sentado tão confortavelmente
No encosto do carro
No estorvo do carro
Com preguiça imensa,
Somente pensa:
'Para, caralho
Para, carro'."

2 comentários:

Hyst disse...

"Me rasgar em falsete" - Andre Matos Feelings kkkkkkkkkkkkkkkk

Gatan, tem algo q tu escreva q eu não goste? Até agora eu não vi.
Soa meio puxa-saco, mas é verdade mesmo.

Continue postando, não faça que nem eu que só posta uma vez por século. hehe

=*

Teh disse...

Mais alguém no mundo, diferente de todo o resto, que faz valer à pena parar para ler. ^^

Parabéns.