
O quanto vale olhar o céu?
E devanear às estrelas?
Às vezes pode ser cruel
Chorarmos ao vê-las
E entender que somos assim:
Tão ínfimos
Frívolos quão ponto de cruz
Tão lúcidos
Mas que há de convir a vileza
Roubar de cada ponto um pouco de beleza
Lograr do brilheiro a candura
Alumiar as asas escuras
O quanto vale olhar o céu
E divagar ao luzeiro?
Rabiscar a vida num papel
Qual cometa ligeiro
Ascender do chão em partida
Na ilusão d'outro céu emerso
Tingir de viver a vida
Na extensão do universo